quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A PROMESSA

Olá! Já escrevi mais um bocado da história que ando a escrever! Se queres ver a história completa clica aqui.

Se não, segue-se o que de novo escrevi...




17 De Agosto: Com o que aconteceu nos últimos dias, não me lembrei de escrever no meu diário. Vou tentar relatar tudo o que aconteceu, o mais próximo da realidade.
Era 15 de Agosto e estávamos a jantar no refeitório. Eu não tinha muita fome por causa da quimioterapia que fazia o meu estômago andar às voltas, mas tentei comer um pouco. Provavelmente éramos a única ala do hospital que comia comida decente.
- Achas que já sabem quem é que roubou os comprimidos de aspirina? – perguntou-me a Júlia. Agora não se falava de outra coisa.
- Não.
Ela olhou para mim por um instante – Sentes-te bem?
- Não.
Ela pegou-me pelo braço e acompanhou-me até à casa-de-banho. Isto já não é novidade para mim. Agora com a quimio tem sido cada vez mais frequente o mal-estar e os vómitos. Aliás, só não escrevi ontem o que aconteceu dia 15 porque passei o dia todo na casa-de-banho.
Quando acabei de vomitar, ouvimos um barulho estranho de alguém a cair. Fomos ver e estava uma miúda deitada no chão, com um frasco de aspirinas ao pé da mão dela. Comecei a sentir-me mal. Não sei o que me deu, mas comecei a gritar, completamente histérica. A Júlia arrastou-me para fora dali, enquanto foi chamar alguém para ir à casa-de-banho.
Entrámos no nosso quarto e ela tentou acalmar-me. De repente, deu-me uma estalada, fazendo com que finalmente parasse de gritar. Sentei-me na cama, quase a chorar.
- Olha para mim – olhei-lhe nos olhos – sei que é duro ver alguém assim, mas tens de esquecer... Não! Olha para mim! Eu já estava noutro hospital antes de vir para aqui e posso garantir-te que talvez mais coisas destas aconteçam... – nesse momento ela parou e sentou-se ao meu lado – Mas posso prometer-te que vamos ser as pessoas mais felizes do mundo até morrermos!
Olhei para ela. Ela tinha dito aquilo tudo de uma maneira que ninguém iria duvidar dela. Apertámos os dedos mindinhos para selar a promessa.

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